Título: Trabalho ou alienação? Um estudo sobre a formação da consciência na Fenomenologia do Espírito.
Título alternativo: Work or Alienation? A study on the formation of consciousness in the Phenomenology of Spirit
Autoria de: Camila dos Santos Cassulli
Orientação de: Federico Orsini
Presidente da banca: Federico Orsini
Primeiro membro da banca: Bruno Kleim Serrano
Segundo membro da banca: Emanuele Tredanaro
Palavras-chaves: Alienação, Entäusserung, Entfremdung, trabalho, Bildung
Data da defesa: 15/06/2026
Semestre letivo da defesa: 2026-1
Data da versão final: 16/06/2026
Data da publicação: 16/06/2026
Referência: Cassulli, C. d. S. Trabalho ou alienação? Um estudo sobre a formação da consciência na Fenomenologia do Espírito. . 2026. 38 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Filosofia Licenciatura Plena)-Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2026.
Resumo: O presente estudo investiga a distinção entre a consciência trabalhadora e as figuras da alienação - Entfremdung e Entäusserung - na formação da autoconsciência na Fenomenologia do Espírito de Hegel. A questão central é em que sentido o trabalho constitui a figura da consciência trabalhadora (das arbeitende Bewusstsein) como ????sujeito???? e em que sentido essa figura se diferencia das formas de estranhamento desenvolvidas no capítulo VI? A análise percorre dois momentos decisivos a assim chamada dialética do senhor e do escravo (cap. IV) e a figura do espírito alienado de si mesmo (cap. VI). No primeiro, o trabalho aparece como exteriorização produtiva (Entäusserung) pela qual o escravo se objetiva no mundo e se reconhece no objeto que produz. Mesmo subordinado ao senhor, o trabalho é formação (Bildung) do servo, de tal maneira que o pertencimento do produto ao senhor não faz do trabalho uma Entfremdung. No segundo momento, Entfremdung entra em cena para designar uma cisão estrutural em que o ????sujeito???? (agora, figura do espírito) não se objetiva produtivamente, mas se defronta com o mundo que ele mesmo criou como uma potência que o domina, sem se reconhecer como produtor deste. No entanto, no capítulo VI, a Entfremdung está intimamente ligada à Bildung, porque o estranhamento em relação à natureza imediata é a forma necessária do devir histórico do espírito. A distinção fundamental entre exteriorização da autoconsciência (cap. IV) e estranhamento (ou alienação) do espírito (cap.VI) é precisamente o conceito de espírito (Geist) enquanto união dinâmica de subjetividade e história e, portanto, o grau de explicitação da carga de objetividade histórica inerente à formação da consciência. A contradição dialética do mundo moderno está no fato de que a Bildung é o processo pelo qual o indivíduo perde a sua essência e a transfere para outro, mas é também o caminho por meio do qual ele, intensificando esse mesmo processo, busca ????retomar???? a sua essência perdida ou estranhada. Conclui-se que, na Fenomenologia, o sujeito significa, para Hegel, um processo que envolve a exteriorização e o atravessamento do estranhamento, e que a alienação não é o oposto da liberdade, mas um momento da sua realização e da sua compreensão.
Abstract: The present study investigates the distinction between the laboring consciousness and the figures of alienation ???? Entfremdung and Entäusserung ???? in the formation of self??consciousness in Hegels Phenomenology of Spirit. The central question is in what sense does labor constitute the figure of the laboring consciousness (das arbeitende Bewusstsein) as subject, and in what sense does this figure differ from the forms of estrangement developed in Chapter VI? The analysis traverses two decisive moments the so-called dialectic of lordship and bondage (Ch. IV) and the figure of the spirit estranged from itself (Ch. VI). In the first, labor appears as productive externalization (Entäusserung) through which the bondsman objectifies himself in the world and recognizes himself in the object he produces. Even in subordination to the lord, labor is the bondsmans formation (Bildung), in such a way that the belonging of the product to the lord does not render labor an Entfremdung. In the second moment, Entfremdung comes into play to designate a structural estrangement in which the subject ???? now a figure of spirit ???? does not objectify itself productively, but instead confronts the world it has itself created as a power that dominates it, without recognizing itself as that worlds producer. Nevertheless, in Chapter VI, Entfremdung is intimately bound to Bildung, because estrangement from immediate nature is the necessary form of the spirits historical becoming. The fundamental distinction between the externalization of self-consciousness (Ch. IV) and the estrangement of spirit (Ch. VI) lies precisely in the concept of spirit (Geist) as the dynamic union of subjectivity and history ???? and therefore in the degree to which the weight of historical objectivity inherent to the formation of consciousness has been made explicit. The dialectical contradiction of the modern world consists in the fact that Bildung is the process by which the individual loses its essence and transfers it to an other, while being at the same time the path through which it seeks, by intensifying that very process, to reclaim its lost or estranged essence. The study concludes that, in Phenomenology, subjectivity signifies for Hegel a process that involves both externalization and the traversal of estrangement, and that alienation is not the opposite of freedom, but a moment of its realization and comprehension.
URI alternaviva: sem URI do Repositório Institucional da UFLA até o momento.
Curso: G024 - FILOSOFIA (LICENCIATURA PLENA)
Nome da editora: Universidade Federal de Lavras
Sigla da editora: UFLA
País da editora: Brasil
Gênero textual: Trabalho de Conclusão de Curso
Nome da língua do conteúdo: Português
Código da língua do conteúdo: por
Licença de acesso: Acesso aberto
Nome da licença: Licença do Repositório Institucional da Universidade Federal de Lavras
URI da licença: repositorio.ufla.br
Termos da licença: Acesso aos termos da licença em repositorio.ufla.br
Detentores dos direitos autorais: Camila dos Santos Cassulli e Universidade Federal de Lavras
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